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Poeta nascido no Rio de Janeiro. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.  (saiba +)

13/08/2017

com sigo

não bebo nem fumo
mas ainda perco
muito tempo

no que brilha
me brilho
e me arrebento

mas sigo:

busco a musa
e o poema
que invento

06/08/2017

porque eu agora acredito na importância do limite

vim escrever um poema sobre o poema
que não devo escrever

evitará sofrimento eu não falar
de como cada toque mínimo
cada olhar
me explode em querer e bem querer

quando se abre seu sorriso de lua
ouço os fogos de artifício do universo

cato meus cacos
fendo em silêncio

(tudo para não ser
no entanto sendo)

sublimo em canto
o não-dito
ainda maior que o sonho

componho
a música mais perfeita
que nunca tocará

04/08/2017

rotina

no crucifixo de minhas imperfeições
aos borbotões
reinvento borboletas
e vento céus

(pessoas passam eu acertando ou errando)

escafandrista de apartamento
transmuto tormento tenso
em véus de poesia
nos intervalos entre o canto
e a prática do silêncio

caminhamos

30/07/2017

os transhumanistas e os passatempos

os transhumanistas tentam prolongar a vida humana
com a ajuda de máquinas

hoje já vivemos ansiosos nos celulares
perdidos nos trabalhos digitando sem sentido
deprimidos nos videogames
distraídos nas distrações eletrônicas
compensando nas compensações
bebendo nos eletrônicos bares

os transhumanistas tentam prolongar a vida humana
com a ajuda de máquinas

- espero estar morto antes disso

28/07/2017

pausa entre as que chegam e vão

dirijo um trem descarrilhado
entre silêncios de castelos idos

cuidado com o vão
entre a aparência e a delusão:
a placa aplaca o coração

silêncios vastos
silêncios
pastos entre a esperança e o medo
(que ainda me movem demais)

sento parado
com a mente mais alta
cantando céus

vejo filmes românticos pobres
com histórias possíveis
em séculos passados positivos

desistir:
verbo imperativo

25/07/2017

vida no mundo

você empurra a pedra
pro alto do morro
e ela cai

toda vez

entra num grupo de apoio
aos empurradores de pedra
decepcionados

mas
você empurra a pedra
pro alto do morro
e ela cai

tem depressão
tem cefaleia
tem gastrite
toma remédio

porém
você empurra a pedra
pro alto do morro
e ela cai

então descobre que é mais feliz
sem entrar no jogo
dos empurradores de pedra

24/07/2017

os cinco diani budas como elementos

começa pela água
que se molda ao receptáculo onde relaxa
entende o outro
a forma do outro
se forma como outro
para poder livrá-lo de ser outro

depois a firmeza da terra
a certeza sólida em cada passo de que
o ouro do outro brilha apesar de tudo
e nos alegra e nos move e nos energiza
junto

então o fogo
nos purifica e transforma
mostrando racionalmente e além da razão
que há um jeito de sair do sofrimento
e nos motiva a seguir o caminho

e o ar
expande
sem pestanejar
corta feito espada
o que deve ser cortado

finalmente o brilho
do silêncio
além do último e do primeiro
atento
e além do tempo

mudança

eu vou pra viamão quando eu casar para meditar melhor

eu não preciso ir para viamão para meditar melhor

eu não preciso casar pra meditar melhor

eu não preciso casar para ir para viamão

eu não preciso meditar melhor

eu não preciso meditar

eu?